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Cenário Econômico Brasileiro - Outubro 2006

A economia brasileira passa por um bom momento. A inflação está baixa e alinhada com a meta da política econômica para 2006. O produto cresce em termos reais. A demanda interna está aquecida. A balança comercial é positiva e tem batido recordes sucessivos. As autoridades monetárias continuam promovendo uma queda ordenada da taxa básica de juros, iniciada há um ano. A dívida externa líquida foi zerada neste ano. O risco da dívida mobiliária federal interna diminuiu significativamente, com a eliminação de sua parcela líquida indexada ao dólar e com o aumento de sua parcela prefixada. O resultado primário do Governo Central é superavitário em mais de 3% do PIB. O desemprego encontra-se estabilizado no patamar de 10%, mas as renda média do trabalhador está crescendo.

Inflação

Gráfico IPCA 12 meses

Após a bolha inflacionária do segundo semestre de 2002, causada em grande medida pela alta especulativa do dólar naquele ano, a inflação foi rapidamente contida. Já em 2003, o IPCA, índice de preços do sistema de metas de inflação, atingiu um dígito. Entre maio de 2004 e maio de 2005, houve um repique da inflação, ao qual as autoridades monetárias responderam com uma alta de juros. Desde então, a inflação tem seguido uma trajetória de queda e deve terminar 2006 em 3%, abaixo da meta de 4,5%.

Demanda interna
Gráfico volume comércio


A tendência de queda da inflação verifica-se a despeito de um aquecimento da demanda interna e também externa. O volume do comércio varejista, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, caiu até o início de 2004. Daí em diante, houve um vigoroso reaquecimento da demanda interna. Desde 2005, o volume de vendas tem crescido em média 5% ao mês, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Balança comercial

Gráfico balança comercialGraças ao aquecimento das economias desenvolvidas e ao boom de investimento na China, a balança comercial brasileira tem sido superavitária e bate sucessivos recordes desde 2002, contribuindo decisivamente para o equilíbrio de nossas contas externas. Esse resultado comercial é explicado também pela alta de preços de commodities e produtos primários exportados pelo Brasil, como ferro e soja. Em 2006, o superávit comercial brasileiro deve ultrapassar US$ 46 bilhões, cerca de 2,2% do PIB.

Taxa de juros

Gráfico juros basicosO custo do capital no Brasil tem sido historicamente alto, mas as autoridades monetárias têm tido sucesso em diminuí-lo de forma consistente nos anos recentes. Em 2003 houve um aperto monetário significativo em que a taxa básica foi elevada a 26% a.a., como resposta à bolha inflacionária do ano anterior. A taxa de juros foi, no entanto, rapidamente diminuída ainda em 2003 para 16%. Entre 2004 e meados de 2005 houve novo aperto, em resposta a uma pequena aceleração da inflação e ao aquecimento no comércio. Controlada agora a inflação, a taxa básica foi diminuída para menos de 14% a.a. e deverá atingir um dígito em 2007.


Dívida pública

Gráfico Dívida/PIBA dívida pública brasileira melhorou sob todos os aspectos nos anos recentes. O estoque da dívida mobiliária federal interna caiu de um patamar de 57% do PIB entre 2003 e 2004 para 50% do PIB. A parcela indexada ao dólar foi cancelada através de regates e de operações de swap reverso. Além disso, a parcela prefixada foi quase quadruplicada desde 2003, para hoje cerca de 31% do estoque. Com essas mudanças, não só o estoque da dívida caiu como um percentual do PIB, mas o seu perfil de risco melhorou substancialmente, deixando o Tesouro Nacional menos vulnerável a choques externos.

Emprego e renda

Gráfico desempregoA taxa de desemprego no Brasil caiu de um patamar de 12% para 10% nos últimos dois anos. Apesar da taxa ainda relativamente alta, a renda média do trabalhador tem aumentado consistentemente desde o fim de 2003. Isso, e a expansão do crédito advinda da baixa dos juros e de incentivos regulatórios, explica em grande medida o aquecimento da demanda interna, sobre a qual se pode construir uma expansão econômica de longo prazo no Brasil.





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